sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Pensamento

O simples ato de pensar muda-me como a freqüência que mudam cada grão de areia de um deserto qualquer ao passar o vento. O que vejo agora já não é o que penso no momento depois que o vi. O homem tem extrema facilidade de uniformizar sentimentos e opiniões, o que quebra o brilho filosófico do ato de pensar. É, por assim dizer, uma forma de abster-se do direito e prazer do pensamento. Cada vez mais tornamo-nos ignorantes por preguiça, ou medo físico- psicológico de terceiros que se vêem como sujeitos dominadores da verdade, que não passa de uma verdade inventada. Vendo desse modo é cômico observar pessoas que não se contêm em apenas enganar aos outros e acabam enganando a si. Inventam mentiras e acreditam na verdade dessa mentiras. É extremamente ignorante a forma grotesca que nos ensinam os “sábios” mestres, sociologicamente somos seres que problematizam, mas não tem capacidade de desenvolver soluções, desenvolvemos paliativos sociais.

Promessas e decepções

Nunca ouviremos ninguém dizer que está decepcionado com o capitalismo. Porquê? Porque o capitalismo não promete nada. No entanto, como o socialismo é uma ideologia repleta de promessas também está cheia de decepções.

José Saramago.

sábado, 20 de novembro de 2010

Educação e Aprendizagem



Os conceitos da educação não são definidos claramente, isso pode ser observado nas definições que existem nos dicionários, em que não estabelecem uma unidade nas designações do significado de educar, ensinar e aprender, pois existe uma tênue linha que os une.
Mesmo a aprendizagem estando presente em todas as culturas, a relação dela com ensino diverge de uma cultura a outra.
Na antiguidade a aprendizagem fazia-se nos contextos da vida, em que o aprendiz vivia, convivia e aprendia com o mestre, como afirma Rousseau. Sociologicamente como condição de se dar continuidade às gerações, é preciso que se transmitam as experiências acumuladas no tempo. Numa analogia entre cultivar e educar, Montaigne explica que semear é fácil, porém a forma de tratar o que já brotou diverge, é disso que se trata, trabalhar a educação e instrução do homem.
A finalidade da educação, segundo Kant, é desenvolver em cada individuo a perfeição de que ele é susceptível.
Alguns defendem a existência de uma educação ideal, perfeita e universal, porém Durkheim defende que seja impossível tal método, afinal existe uma multiplicidade no que diz respeito às pessoas, há homens de sensibilidade e de ação. Sociologicamente falando a educação sofreu diversas mudanças ao longo do tempo cada sociedade aprimorou ou inventou seu próprio sistema educativo imposto ao individuo. Montaigne atentava para uma prática bastante perigosa e que interfere na educação e na compreensão, que é a de trabalhar para encher memória, a atividade do saber mais. Defendia o saber melhor onde se buscava preencher o entendimento e a consciência.
A melhor maneira de desenvolver é aguçar a criatividade e consciência do aprendiz, afinal, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou construção.”

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Eu pensei que...

Belo fim de semana. Num sábado sem tantas perspectivas, depois de voltar de Belém do São Francisco, recebi um ótimo telefonema, um convite a ir à Salvador, sem pestanejar aceitei e me organizei, desfiz uma mala e fiz outra. Na madrugada do mesmo sábado partimos numa aventura dantesca. Cinco pessoas, pouco dinheiro, e um uno mile 1000.
Uma viagem enorme, parecia que não chegariamos mais. Chegando na capital baiana, haja paciência para andar naquele trânsito de louco. Quem tá na frente sempre tem razão, levam a sério quando dizem que quem bate atrás está sempre errado. Não usam setas, apenas buzina, e sai do meio...
A viagem foi uma ótima aventura, mas a cidade uma decepção. Deprimente ver o Pelourinho abandonado, tantos mendigos e drogados. A praia da Barra sem segurança, suja, o que salvou o dia foi o farol e o pôr do sol. Ficar de frente pra o mar com meu cigarro, meus amigos e uma cerveja foi perfeito, mas evidentemente tinha de haver algo pra estragar. Bexiga cheia, banheiro distante, e o pior de tudo para usar o toilete R$ 3,00, e o pior de tudo ainda aceitam cartão, imaginem a fatura: Urinol: R$ 3,00. Arg.
Salvador deve ter sido melhor, acredito eu. Afinal sempre falam tão bem da cidade, imagino que tenha sido, um dia, o que tantos falam.
A beleza arquitetônica que Salvador possui está às cobras, quantos prédios históricos estão decadentes, aos cacos.
No mais foi uma bela viagem, reunir velhos amigos, apesar dos pesares foi muito bom. Contratempos e picuinhas bestas poderiam ter estragado a viagem, mas o importante é lembrar dos bons momentos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Política é fundamental.

Como pode se reestabelecer um país sem política? É o que observávamos no Haiti pré-terremoto, aquele que hoje jaz em ruínas física, pois há muito já estava em ruínas política.
Seu quadro social falido e defasado, agravado quando extinto o seu exército, entrou em crise e deixou seu povo em pânico e sem controle, a pobreza devastou o país e a violência tomou de conta. A Organização das Nações Unidas, então, num ato de extrema benevolência, e numa estratégica tática de guerra camuflada invadiu o país com sua tropa, ironicamente chamada de “Força de Paz”.
Admito que realmente houvesse, e ainda haja, a necessidade de uma ofensiva para repreender e tentar amenizar a violência na região, mas o que podemos ver é que a medida da ONU nem mesmo de paliativo serviu, só agravou a situação, e prolongou a dor e sofrimento de todo povo.
Numa primeira observação e análise do cenário haitiano, de imediato pode-se tirar uma conclusão, senso comum entre dez de dez pessoas, o problema no Haiti é político, como consequência transparece o social. A ajuda mais inteligente que a ONU poderia dar, com todos os seus diplomatas e doutores em relações e ciências econômicas, políticas e sociais, era auxilio na construção de uma nova política, que preparassem os haitianos, e não os reprimissem domando-os como animais selvagens.
Se essa interpretação de fato tivesse sido percebida, e se esse processo tivesse ao menos sido iniciado, esse desastre natural pudesse ser encarado de frente pelos próprios haitianos, evidentemente que com a mesma perplexidade e tristeza, mas estariam organizados para um melhor atendimento, e talvez as cenas deprimentes de violência de um povo que se encontra numa mesma situação não acontecessem.
Com um exército formado, e uma política implantada o quadro atual, talvez, fosse mais acessível para intervenção de ajuda, sem tantos obstáculos para a chegada dos donativos.